Motivação

Sobre o projeto

Um caderno católico de ensaios sobre autoridade, consciência, poder e dominação nas relações humanas após o pecado original.

Após a Queda é um arquivo de pensamento católico em construção. O projeto reúne ensaios reflexivos, teológicos, antropológicos e filosóficos sobre pecado original, autoridade, abuso espiritual, consciência e relações humanas à luz das Escrituras, dos Padres da Igreja e da Tradição viva do Magistério.

O pecado original não destrói a necessidade da autoridade, mas corrompe continuamente sua finalidade, desviando-a do serviço para a dominação. A Queda não elimina a autoridade; ela desordena seu exercício.

Método

A proposta não é produzir conteúdo polêmico ou panfletário. Trata-se de uma reflexão sobre as formas pelas quais a vontade de dominar atravessa relações sociais, comunidades e instituições, inclusive aquelas que existem para servir.

Não se trata de:

  • fazer denúncias precipitadas;
  • cultivar anti-institucionalismo;
  • substituir investigação por reação ideológica.

Os textos publicados aqui são notas de investigação provisórias, cuidadosas e abertas a aprofundamento. O ensaio é a forma adequada para esse tipo de pergunta, pois permite hesitação, retomada e releitura. Espera-se do leitor a mesma disposição.

Hipóteses

O projeto parte de formulações provisórias sobre como o pecado original afeta relações e estruturas humanas, e como a vontade de dominar pode contaminar até mesmo o desejo sincero de fazer o bem.

Por isso, a pergunta recorrente não é apenas moral, mas antropológica:

  • como seres humanos transformam a relação em posse, o cuidado em tutela e o serviço em centralidade;
  • como a fé católica pode purificar a autoridade sem destruí-la.

Tradição

O projeto dialoga, em primeiro lugar, com:

  • Santo Agostinho e a antropologia da Queda;
  • Santo Tomás de Aquino e a inteligência da fé;
  • São Francisco e a espiritualidade da minoridade;
  • São John Henry Newman e a consciência;
  • Guardini, de Lubac, Ratzinger e o que se costuma chamar de nouvelle théologie em sua versão equilibrada;
  • o Concílio Vaticano II em sua hermenêutica de continuidade.

Em diálogo, e em alguns pontos em tensão fecunda, comparecem interlocutores não católicos:

  • Niebuhr (a ironia da história);
  • Arendt (a banalidade do mal);
  • Foucault (as microfísicas do poder).

sempre relidos a partir do horizonte da fé.

O que se investiga

Como exercer autoridade sem absorver a consciência do outro?

A verdadeira autoridade deve formar consciências, não substituí-las; deve conduzir a Deus, não tornar-se um centro de gravidade da vida espiritual alheia.

A investigação se distribui em alguns eixos:

  • pecado original e antropologia cristã;
  • autoridade, consciência e foro interno;
  • clericalismo e abuso espiritual;
  • minoridade, serviço e desapego;
  • estruturas de pecado, comunhão eclesial e vida comum.

Quem escreve

Este projeto é escrito por Wendel Vasconcelos, leigo católico, interessado nas relações entre antropologia cristã, autoridade e relações sociais. Os textos publicados aqui não pretendem falar em nome de nenhuma instituição, mas registrar uma investigação pessoal, aberta e em amadurecimento à luz da fé católica.